A emblemática velhinha bizantina.
No começo as pessoas daquela pequena cidade até estranhavam que aquela doce senhora usasse a fonte da praça para se banhar.
Todos os dias pela manhã, bem cedinho lá estava ela com seu traje de banhista, uma toalha e o seu sabonete.
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Aos 93 ela nem se importava mais com o que iriam pensar. Ela se sentia bem em meio à natureza e o iniciar do dia. Só era ruim mesmo nos dias em que fazia muito frio ou chovia.
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Mas como o clima naquela região era firme, ela reclamava apenas dos dias de inverno mais rígidos.
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O marido quase centenário tentou acompanhar a valente esposa uma ou duas vezes mas não seguiu em frente pq decidamente acordar cedo não era o seu forte.
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A sua figura era marcante. Não aparentava a idade que tinha. Nem o marido. Ela era um ícone de beleza!
Durante o dia, após o banho matinal que a maior parte das pessoas praticamente ignorava(e inclua-se ai até a polícia e o pessoal que costuma fofocar ou achar os outros malucos), a velhinha cuidava da casa, preparava as refeições de toda a familia e ainda trabalhava nas obras sociais da igreja matriz.
Diga-se de passagem que em casa ela acabava fazendo almoço e jantar para mais de 50 pessoas entre filhos, netos e bisnetos. Sua vida era uma tremenda festa e não era raro vê-la sorrindo, cantando e correndo pelas ruas da cidade, espalhando alegria e até uma certa inveja nos mais novos.
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O casal vivia de modo espartano, com as economias de suas aposentadorias e aquilo que colhia de suas pequenas hortas, aliás trabalho que ambos gostavam de cuidar sozinhos e era ali que o marido se realizava durante os intermináveis dias de sua aposentadoria.
Ambos vestiam trajes que mais se pareciam túnicas. Diziam ser mais práticos do que calças, blusas, saias e camisas. E deveria ser mesmo.
Se algum desavisado chegasse a cidade sem conhecer o casal iria achar que estava sonhando ao ver a dupla com seus cabelos em tons dourados que mais pareciam anjos ou arcanjos em suas vestes divinas. Em especial a velhinha com seu corpo esguio, traços delicados e quase sem marcas para a idade.
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A personalidade marcante dela até hoje é lembrada. Costuma-se dizer que nunca mais alguém como ela irá aparecer neste mundo.
Mas engana-se quem acha que ela morreu. Não! Ela não morreu.
Apenas descobriu uma coisa chamada internet. Comprou um notebook para ver como funcionava. Se apaixonou, criou uma conta no orkut, outra no facebook e por fim, rendeu-se ao mundo de perguntas do formspring e deixou rolar conversa solta pelo twitter. Comprou um i-pod, um celular de última geração e retirando até o último centavo de suas poupanças(que por sinal, e para surpresa de todos eram bastante grandes), ela comprou uma moto, encheu o tanque e sumiu! Sozinha!
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Por algum tempo se soube dela através de e-mails, scraps e os recados em seu fotolog.
Mas depois que chegou ao Japão, ela não tem mais dado notícias. Talvez seja por estar trabalhando tanto lá, para fazer um novo pé de meia.
Afinal, para realizar alguns sonhos é preciso dinheiro no bolso! E sonhos não faltam para ela. Nem sorrisos, brilho no olhar e vida pulsando nas veias!
Blogbeijinhos e não se esqueça: Prepare-se, vem ai mais um dia 08 de março, recuse quem lhe der os parabéns pelo “dia das mulher”! Exija respeito, carinho, admiração e 365 dias de verdade, universais da mulher! Dignidade já!
