Aliás, um assunto que volta e meia persegue os meus pensamentos.
Deixa eu explicar!
Quando eu era criança, meu pai trouxe para casa um livro que falava sobre a arte brasileira como um todo até o final dos anos 60.
Um livro no qual, por coincidência havia um trabalho dele, publicado.
Mas era um livro que chamava a atenção pela diversidade de temas, da pintura ao teatro, do cinema à arquitetura. E mesmo sem entender muita coisa, eu olhava aquele livro por horas! Depois o tempo passou e o livro acabou perdido em algum canto. Porém, sempre me marcou muito um capítulo do livro que falava sobre o modernismo.
Em particular num trecho que mostrava imagens de uma casa, construída durante os anos 20 e inaugurada em 1930. Uma casa que carregava nos traços de sua construção, linhas arrojadíssimas para a época. Linhas que contrastavam ciom os casarões da época, que caprichavam ainda nos rococós e detalhes.
A proposta de ruptura do MODERNISMO na arquitetura era muito forte, embora pouco se fale disso quando o assunto é este importante movimento.
Esta casa modernista, construída na Rua Itápolis (no paulistano bairro do Pacaembú) sempre mexeu com o meu imaginário. Eu lembrava do livro, das fotos, dos contrastes e aquilo de algum modo me empolgava. Um belo dia, já cursando a faculdade de arquitetura tive a idéia de procurar o tal endereço. Não havia internet, nem google, nem nada onde pesquisar. Peguei o carro, o guia de ruas e lá fui eu.
Em resumo, a casa existia ainda. Aliás, até hoje ela está lá.
O problema é que a casa projetada por Gregory Warchavchik ficou esquecida, como aliás toda a memória nacional acaba ficando.
É fato que durante um bom tempo senão me engano nos anos 80, a casa funcionou como um museu. Mas depois virou residência e teve alteradas algumas de suas características. É de dar pena, afinal ela representa um período histórico. Um último símbolo nacional vivo do mais conhecido movimento intelectual ocorrido no mundo. A casa está de pé, mas da última vez que a ví no ano passado ela estava abandonada e fora invadida ao que parece. Ela hoje em dia seria tipo de museu que valeria à pena ser visto sempre.
Gregory Warchavchik.
Este russo genial formou-se em Roma no ano de 1920, desembarcando nas terras brasileiras três anos depois. Em pouco tempo se uniu aos expoentes do movimento modernista e começou a traduzir suas idéias em obras arquitetônicas. Infelizmente de todas elas, apenas esta da Rua Itápolis ainda sobrevive, mas é bem capaz de amanhã ou depois, ela venha à baixo, dada à especulação imobiliárias e ao valor do terreno onde ela foi construída.
Falando ainda do arquiteto Gregory Warchavchik, este é um dos caras que eu gostaria muito de ter conhecido. Muito além da dureza da obra de um Niemeyer, pretensioso e egoísta demais o russo-brasileiro projetava arte, projetava sensibilidade e percepção humanista. Longe demais do concreteiro Niemeyer e suas posições político-emburrecidas, tão valorizadas pelos baba-ovos de plantão que, por falta de mais conhecimento esquecem os gênios de verdade. Para quem conhece um pouco do assunto, Warchavchik é rei. Este sim!
E para quem lê este blog pela primeira vez e comenta de forma poética e egoísta, um alerta: Um blog é algo muito pessoal. Escreve-se nele o que se quiser, da mesma forma que sua leitura não é obrigatória. Toda pretensão e pré-julgamento aqui é desnecessária.
Um beijo e não perca a capa deste domingo! =)
Ps.: Layout feito com imagens simulando fotos tiradas com Polaroid. Uma pena que esta empresa tenha anunciado o fim da produção de seus tradicionais filmes fotográficos.